Vibração Coletiva (13/03/2024) – Confiança

Confiança

A confiança é delicada flor, que escolhemos entregar a alguns eleitos, na expectativa de que cuidarão dela com desvelo e lealdade. Sua beleza é proporcional à sua delicadeza; uma vez enfraquecida, dificilmente podemos recuperá-la. Os mais extremistas dizem até mesmo ser impossível… Mas nada é impossível no terreno fértil do amor e da compreensão.

Se sentimos que a pessoa a quem confiamos nossa flor a negligenciou em seus cuidados; se percebemos o ressentimento e o amargor da decepção invadirem nosso jardim; e se concluímos finalmente que jamais poderemos confiar nosso coração novamente a essa pessoa… Paremos por uns instantes, meus queridos.

Antes que o fel torne o solo de teu coração terreno árido, pare por um instante e coloque-se no lugar de teu jardineiro negligente.

Estava ele realmente preparado para a tarefa que o confiou? Tinha consciência das formas de rega e poda; sabia ele das expectativas de teu coração?  Seriam estas expectativas justas, ou demasiado altas para qualquer ser humano. Talvez tenhamos injustamente esperado que ele fosse o mais hábil dos jardineiros, esperamos dele a perfeição inatingível…

E então, um dia, nossa flor não foi regada como gostaríamos. Não foi levada ao sol pelo tempo que esperamos. Não recebeu o adubo que imaginamos. E assim julgamos essa flor ter sido completamente esquecida, negligenciada, magoada…

Como voltar a confiar em alguém a quem entregamos esta flor preciosa – seja no formato de amizade, amor, desvelo, entrega… – e que a despedaçou? Nossa natural reação de autopreservação é jamais deixar esta pessoa entrar em nosso jardim novamente.

No entanto, quantas vezes será que não fomos nós o jardineiro negligente? Quantas pessoas já decepcionamos – muitas delas sem sequer termos nos dado conta? Quantas belas flores deixamos morrer?

E ao reconhecer o erro, não gostaria de uma nova oportunidade de fazer melhor, de ser mais diligente, mais amoroso, mais cuidadoso?

Por outro lado, quantos de nós somos capazes de conceder esta segunda chance? Quantos de nós tem a coragem de esquecer a decepção e deixar entrar novamente em nosso jardim aquela mesma pessoa que pisou em nossas flores de alegria?

Dessa maneira, o grande mérito não está em confiar. Que mérito existe em confiar em quem nunca nos magoou?

A verdadeira virtude está no perdão. Está em conceder uma segunda chance. Em confiar novamente.

E não há melhor adubo para a bela flor do amor, que o perdão.

Ao vibrar esta noite pela confiança, vamos dar um passo além e vibrar pelo perdão. Vibrar pela coragem de tentar novamente.

Vibrar pela gratidão daqueles que receberam uma segunda chance, um segundo voto de confiança.

Vibrar para que num futuro não muito distante, existam mais flores e menos aridez; mais sorrisos que lágrimas; mais abraços que separações; mais reencontros que desencontros.

Paz e Luz!