Notícia da Semana – A cidade vai para a rua: os movimentos que querem transformar os espaços públicos

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Em São Paulo e outras cidades do país, moradores de diversas origens e classes sociais começam a se juntar e sair às ruas. Em comum, estes movimentos têm um objetivo que parece simples, mas que dá bastante trabalho para ser conquistado: tornar os espaços públicos mais agradáveis.

Se você aceitar o convite destes grupos, poderá plantar flores nos canteiros de uma avenida, participar de debates e oficinas na praça, fazer performances às margens de um rio, cuidar de uma horta comunitária ou dançar embaixo de um viaduto madrugada adentro.

“Fazer isso é importante, porque a vida pública está morta”, diz a arquiteta Laura Sobral, de 29 anos, que se casou na rua, em pleno Largo da Batata, no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.

É uma excentricidade que fez todo o sentido para Laura. Ela criou há pouco mais de um ano, junto com amigos e vizinhos, o coletivo “A Batata Precisa de Você” e passou a organizar atividades neste local.

13No passado, o Largo da Batata teve papel importante no surgimento da cidade, servindo como entreposto comercial para a capital e o interior. Quando Laura decidiu realizar eventos semanais por lá, uma grande reforma no Largo que custou R$ 150 milhões e tomou mais de 11 anos acabara de ser finalizada. O resultado, no entanto, desagradou alguns moradores da região – inclusive a arquiteta.

Naquele dia, haveria uma tenda para estampar camisetas, intervenções artísticas na calçada, um debate e um baile de forró para fechar a noite. Também já foram instalados no Largo jardins, bancos, uma mesa de pingue-pongue e uma cobertura feita com guarda-sóis.

“Este tipo de ação gera conflito, dá trabalho, exige manutenção, mas é isso que a gente acredita que é a vida na cidade”, explica Laura, que planeja realizar atividades também em outros pontos da cidade.

Margareth Uemura, coordenadora de urbanismo do Instituto Pólis, ONG voltada para o estudo de políticas públicas, explica que ações desta natureza ocorrem há tempos nas periferias diante da ausência de projetos de urbanização. Mas ganharam mais destaque a partir do momento que passaram a ser realizadas também nas áreas centrais da cidade.

“Trata-se de um amadurecimento histórico. Desde a nova Constituição, foram sendo criados instrumentos democráticos de maior participação popular. Assim, o cidadão começa a entender que tem voz, e o poder público – que ainda tem o dever de zelar pela cidade – entende que pode compartilhar esta gestão”, afirma Uemura.

Com diferentes graus de sucesso – e receptividade -, estas ações de coletivos em espaços públicos vêm ocorrendo não só em São Paulo, mas em outras cidades brasileiras. Há o Grupo Poro, em Belo Horizonte, o OPAVIVARÁ!, no Rio, o Cidade Baixa Em Alta, em Porto Alegre, Salvador Meu Amor, na capital baiana e em Recife o coletivo Praias do Capibaribe.

“Estar mais na rua é importante, porque reduz o medo, o preconceito, a violência. Tentamos fazer a nossa parte para melhorar a vida na cidade e incentivamos que outros façam o mesmo.”

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese

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As cidades são formas de organização espacial que com o passar do tempo foram perdendo a sua essência que é a de aproximar e integrar as pessoas. Hoje em dia o medo e o materialismo exacerbado transformaram-nas em grandes presídios, aonde poucos interagem fora de seus círculos profissionais e familiares. Todas as iniciativas de promoção da cidadania que por consequência gerem harmonia social devem ser divulgadas e replicadas em nossas realidades para que assim possamos construir um mundo melhor, transformando-o em um palco apropriado para nossa evolução espiritual.

Paz e Luz!

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